Debate realça limites<br> do capitalismo e actualidade<br> do socialismo

SOCIALISMO Almada acolheu, na noite de 31 de Março, o primeiro debate de um ciclo que o PCP promove no âmbito das comemorações do Centenário da Revolução de Outubro.

O capitalismo é por natureza explorador, agressivo e predador

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A abrir a sessão, subordinada ao tema «Economia ao serviço do povo e do País». Agostinho Lopes, do Comité Central, afirmou que «uma crise profunda, global, densa, sistémica atingiu o capitalismo», comprovando que a sua natureza «exploradora, opressora, agressiva, predadora não resultava da competição com a URSS e o mundo socialista», antes lhe é intrínseca. A localização desta crise no centro do capitalismo, a sua violenta expressão nalgumas das mais arrojadas «construções» do sistema, como a UE, não são fruto do acaso, garante. Da mesma forma que os dramáticos problemas causados aos trabalhadores e aos povos decorrem igualmente da própria natureza do sistema.

Por maioria de razões, realçou o membro do Comité Central, a responsabilidade das forças da social-democracia, dos conservadores e outros, em toda esta situação «resulta da sua indefectível assumpção e defesa do sistema capitalista». Para Agostinho Lopes, perante o aprofundamento da crise estrutural do capitalismo, para a qual as «saídas capitalistas» serão sempre falsas saídas, a verdadeira alternativa é o socialismo.

O segundo orador da noite, o professor Luís Gomes, referiu-se à experiência de construção do socialismo na URSS, recorrendo a um vasto conjunto de dados e indicadores que mostram as extraordinárias conquistas, avanços, realizações e experiências – com as quais é necessário aprender, sublinhou – da Revolução de Outubro e de todo o processo revolucionário que se lhe seguiu. Em seguida acrescentou que a história mostra com frequência que «aos retrocessos temporários se sucede um maior e mais consolidado avanço».

Como sublinhou Luís Gomes, a contradição entre capital e trabalho, entre o carácter social da produção e o carácter privado da apropriação continua a agudizar-se». Assim, se a Revolução de Outubro inaugurou a primeira fase das revoluções socialistas vitoriosas, «outras virão». Mas para a «inexorável futura transformação revolucionária», destacou, é indispensável compreender a fundo a experiência soviética.

Lutar pelo socialismo

Vasco Cardoso, da Comissão Política, referiu-se à luta que o PCP trava por objectivos concretos e imediatos, sublinhando que a mesma se inscreve na luta pela democracia avançada, o socialismo e o comunismo. Também a situação actual do País é inseparável do capitalismo e da actual crise, de décadas de política de direita, da integração capitalista na União Europeia, realçou.

Com a Revolução de Abril, o povo português libertou-se do fascismo, conquistou liberdades democráticas e realizou profundas mudanças económicas e avanços sociais e culturais, possíveis porque o capital monopolista, sustentáculo e beneficiário do regime deposto, foi também ele derrotado. Com Abril, sublinhou, foi aberto um horizonte de esperança, de paz e cooperação com as outras nações, de progresso e de justiça social.

Remetendo para o Programa do PCP, Vasco Cardoso destacou que a «acção de vanguarda da classe operária, a luta dos trabalhadores e das massas populares, a política assumida pelas instituições e pelo Estado, a maior ou menor democraticidade das eleições, a evolução da estrutura social e a arrumação das forças de classe, a conjuntura internacional, a capacidade do Partido para ganhar as massas para o seu Programa, são elementos fundamentais que determinarão no concreto o processo de transformação socialista da sociedade.»

No período reservado ao debate, foram diversas as intervenções, opiniões e questionamentos a provar o interesse que a temática desperta e, por outro lado, a evidenciar a importância do debate em torno da necessária superação do capitalismo e da actualidade do socialismo. O próximo debate realiza-se amanhã às 17h30 na capitania de Aveiro, sobre «Melhoria das condições de vida dos trabalhadores e do povo».

 



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